Quem se importa? Quem escuta? Quem lê?
sábado, 28 de março de 2009
Deixa(-mos) de existir...
aparecemos mortos... nus e ingénuos.
aparecemos repletos de magoas e desalento(s)
aparecemos deslumbrados com o silêncio
Com o espelho que esconde a nossa imagem, com o espelho que narra a nossa história
...aparecemos deitados a sonhar o mesmo sonho
éramos nós, admirando o tempo. o nosso tempo
e porque ainda temos esperança? ou fé, ou seja lá o que for
por que ainda acreditamos que vamos morrer juntos?
porque acreditamos ainda no destino?
Dói tanto quando se tenta fugir
odeio pensar que ainda te amo e que posso te perder para sempre
sábado, 31 de janeiro de 2009
Mensagem
(A verdade sobre os anjos)
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
"Ninguém é perfeito para sempre"
O silêncio
"And stay all night with me / You won't find a girl in this damn world / That will compare with me"
Nick Cave & P.J Harvey
Tomara que a noite tivesse corrido bem, que tivesse dormido e talvez tido um sonho feliz (ainda que frustrante), que não tivesse ficado indisposta, que tivesse fumado um cigarro e não tivesse "parado para pensar". Tomara que conseguísse ignorar a sexualidade dos anjos ou conseguísse escrever algo interessante. Tomara que usufruísse de uma boa leitura e deixa-se de perder tanto tempo comigo e com os "meus assuntos", ou dito de outra forma: deixa-se de perder demasiado tempo com as "minhas paixões". Tomara que deixa-se de ter tanta esperança e abandonasse as causas perdidas. Mas tomara, sobretudo que aquele silêncio nunca tivesse acontecido.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Deixa-me contar-te a minha história
Ouvi-a cantar naquela noite. Via-a fechar os olhos enquanto a voz saía da sua boca. Era impossível ser-lhe indiferente... aquela voz triunfava, era mais poderosa do que qualquer outro instrumento presente naquela sala. Eu queria chegar mais perto, desejava vê-la com mais nitidez e atenção. Aproximei-me do palco, das mesas, mais precisamente da mesa onde te encontravas. Estavas demasiado atento, demasiado hipnotizado para te dares conta da minha presença. Deves tê-la ouvido dezenas de vezes, contudo mantinhas aquele olhar húmido - idêntico ao olhar de uma criança, cheio de devoção e afecto. Como poderia eu ignorar isso? Foi então que percebi: o silêncio, o "nosso" silêncio havia sido substituído pela aquela voz.
Não vai há muito tempo que comecei a achar que o maior defeito dos homens era a cobiça. Não por tua causa, mas por todos os outros que conheci antes e depois de me casar. Algo me dizia que aqueles homens queriam mais e mais. É curioso, a traição é um prato demasiado fácil de confeccionar, também demasiado fácil de saborear, mas o pior vem depois... Não me "ralo" com o facto de ter tido as oportunidades e nunca as ter aproveitado. Elas não iam durar muito, pois não?
Também nomeei um defeito para as mulheres: a inveja. As mulheres têm inveja de tudo, do par de sapatos da outra, do rabo da outra, das notas dos filhos da outra, da pujança sexual da outra, do marido da outra e inclusivamente da voz da outra. Elas simplesmente querem tudo o que não têm, querem se tornar mais desejáveis e na altura do "desastre" acham que ele as deixou porque não fizeram a tal lipoaspiração que deviam ter feito no Verão. Porquê que é sempre o corpo o culpado? Porque não acreditam simplesmente - que as coisas não deram certo.
Enquanto a olhava ao espelho, tive consciência de umas tantas asneiras que fiz quando tinha a sua idade. Uma delas foi ter-me casado contigo demasiado cedo. Toda a gente me avisou que era uma loucura, toda a gente... é verdade, casei-me contigo quando tinha apenas 19 anos. Achei que ao estar casada o meu pai não poderia mais mandar em mim, adaptaria a minha vida as tarefas domésticas, iria ao cinema, fazia as compras e de vez enquando passaria pela escola de música para te visitar. Mas que sabia eu da vida com 19 anos?
Vamos deixar o passado para trás, estou farta de ser alimentada pelos poucos momentos felizes que realmente vivemos. O amor esgotou-se demasiado cedo e nunca mais conseguimos recuperar. É este o momento, quero o divorcio.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Vamos falar da Verdade
Ficámos em silêncio, com as nossas consciências a sussurrarem-nos ao ouvido. Ficámos parados, a sentir o cheiro um do outro e a distância, sem saber o que dizer. Eu falo sempre acerca das minhas fraquezas, típicas da juventude, como me dizes. E pela primeira vez falaste-me das tuas também. Eu nunca te tinha visto tão frágil e debilitado. Falamos de tudo e de nada e de nada, antes…
Gritei dentro de mim… desesperada, enquanto ecoaram nos meus ouvidos aquelas letras, aquelas palavras, aquela frase. Tive nojo de mim mesma, dos meus pensamentos, das minhas lembranças. Tive nojo de te amar tanto e ao mesmo tempo da minha impotência em frente àquela figura. Ela não me bateu (coisa que eu fazia se tivesse acontecido comigo), nem tão pouco me insultou.
"Tua" - terceira parte da trilogia dos rios
Diário
terça-feira, 22 de julho de 2008
Vamos falar da Verdade
Deixa-me contar-te a minha história
De óculos escuros
Sensíveis ao toque
Som: Jazz
Imagem: a avó
Discreta obsessão
Colectânea de odores
Morada enganada
De olhos fechados
porque que as frases soltas fazem para mim tanto sentido?...
sexta-feira, 18 de abril de 2008
implícita natureza
"Guardo os segundos perdidos, guardo os pedaços de papel amarrotados e espalhados um pouco por toda a parte. Guardo os segredos e os medos, transformo-os em pequenas histórias que se contam, por aqui e por ali, no eco da minha memória. Guardo os sonhos e os pesadelos, mas guardo aquilo que ainda não vivi, aquilo que viverei."
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Sou o veneno que te dei a beber
O segredo que não conseguíste esconder
Sou a fé do Ateu
A mão direita do esquerdino
Sou o cego a ver o vermelho
A noite iluminada pela escuridão
Sou a chávena quente de café frio
Sou as maças que Eva não comeu
O inferno que Dante nunca conheceu
Sou a voz que nunca conseguíste ouvir



