Quem se importa? Quem escuta? Quem lê?

Mostrar mensagens com a etiqueta ideias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ideias. Mostrar todas as mensagens

sábado, 28 de março de 2009

Deixa(-mos) de existir...

Aparecemos por momentos breves no labirinto de sonhos que nós mesmos construímos
aparecemos mortos... nus e ingénuos.
aparecemos repletos de magoas e desalento(s)

aparecemos deslumbrados com o silêncio
Com o espelho que esconde a nossa imagem, com o espelho que narra a nossa história
...aparecemos deitados a sonhar o mesmo sonho

éramos nós, admirando o tempo. o nosso tempo

e porque ainda temos esperança? ou fé, ou seja lá o que for
por que ainda acreditamos que vamos morrer juntos?
porque acreditamos ainda no destino?

Dói tanto quando se tenta fugir
odeio pensar que ainda te amo e que posso te perder para sempre

sábado, 31 de janeiro de 2009

Mensagem


(A verdade sobre os anjos)

Como adultos nós sentimos as primeiras sensações. Como humanos fomos os únicos a senti-las verdadeiramente pela primeira vez. Como mulher foi a primeira vez que me olhei ao espelho, como homem foi a primeira vez que vis-te o mundo. Quem somos nós afinal? Porque "sonhamos" uma vida inteira com este momento e não conseguimos entender o que se passa aqui? Julgamos que viveríamos eternamente e de que apesar de não sabermos o que é o amor, nunca sentiríamos a sua falta. Estávamos errados! Nós não tinhamos como entender a verdadeira essência da felicidade. Esta reside nos pequenos gestos do Ser-se humano.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"Ninguém é perfeito para sempre"

O Tempo Segundo David Fincher



Ninguém tem tal controlo do tempo, um tal controlo das imagens e da sua poética. Ninguém encarna tão realisticamente o pavor da vida e o pavor da morte. O tempo que se reveste de todos os seus habituais fenómenos. Para o extermínio do tempo, apenas há uma solução: a morte.

O silêncio



[Wings of Desire - de Wim Wenders (1987)]

"And stay all night with me
/ You won't find a girl in this damn world / That will compare with me"

Henry Lee
Nick Cave & P.J Harvey

Há coisas que nos matam... E numa altura em que deveria estar a contaminar um pedaço de papel com o meu modesto comentário acerca do último filme do Fincher ou, simplesmente a correr até à sala de cinema para assistir ao "Changeling" (de Clint Eastwood), estou aqui para falar - sei lá do quê. Após um longo tempo a recear não ter o que escrever, após uma noite mal dormida, e uma má disposição matinal, após um "parar para pensar" (sem resultado algum). Após umas entrelinhas acerca da vida dos anjos e a sua assexualidade, após um terrível silêncio - (reparo) que tudo começará de novo...
Tomara que a noite tivesse corrido bem, que tivesse dormido e talvez tido um sonho feliz (ainda que frustrante), que não tivesse ficado indisposta, que tivesse fumado um cigarro e não tivesse "parado para pensar". Tomara que conseguísse ignorar a sexualidade dos anjos ou conseguísse escrever algo interessante. Tomara que usufruísse de uma boa leitura e deixa-se de perder tanto tempo comigo e com os "meus assuntos", ou dito de outra forma: deixa-se de perder demasiado tempo com as "minhas paixões". Tomara que deixa-se de ter tanta esperança e abandonasse as causas perdidas. Mas tomara, sobretudo que aquele silêncio nunca tivesse acontecido.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Deixa-me contar-te a minha história

Que tantas histórias mais terei eu de te contar?...

Ouvi-a cantar naquela noite. Via-a fechar os olhos enquanto a voz saía da sua boca. Era impossível ser-lhe indiferente... aquela voz triunfava, era mais poderosa do que qualquer outro instrumento presente naquela sala. Eu queria chegar mais perto, desejava vê-la com mais nitidez e atenção. Aproximei-me do palco, das mesas, mais precisamente da mesa onde te encontravas. Estavas demasiado atento, demasiado hipnotizado para te dares conta da minha presença. Deves tê-la ouvido dezenas de vezes, contudo mantinhas aquele olhar húmido - idêntico ao olhar de uma criança, cheio de devoção e afecto. Como poderia eu ignorar isso? Foi então que percebi: o silêncio, o "nosso" silêncio havia sido substituído pela aquela voz.
Não vai há muito tempo que comecei a achar que o maior defeito dos homens era a cobiça. Não por tua causa, mas por todos os outros que conheci antes e depois de me casar. Algo me dizia que aqueles homens queriam mais e mais. É curioso, a traição é um prato demasiado fácil de confeccionar, também demasiado fácil de saborear, mas o pior vem depois... Não me "ralo" com o facto de ter tido as oportunidades e nunca as ter aproveitado. Elas não iam durar muito, pois não?
Também nomeei um defeito para as mulheres: a inveja. As mulheres têm inveja de tudo, do par de sapatos da outra, do rabo da outra, das notas dos filhos da outra, da pujança sexual da outra, do marido da outra e inclusivamente da voz da outra. Elas simplesmente querem tudo o que não têm, querem se tornar mais desejáveis e na altura do "desastre" acham que ele as deixou porque não fizeram a tal lipoaspiração que deviam ter feito no Verão. Porquê que é sempre o corpo o culpado? Porque não acreditam simplesmente - que as coisas não deram certo.
Enquanto a olhava ao espelho, tive consciência de umas tantas asneiras que fiz quando tinha a sua idade. Uma delas foi ter-me casado contigo demasiado cedo. Toda a gente me avisou que era uma loucura, toda a gente... é verdade, casei-me contigo quando tinha apenas 19 anos. Achei que ao estar casada o meu pai não poderia mais mandar em mim, adaptaria a minha vida as tarefas domésticas, iria ao cinema, fazia as compras e de vez enquando passaria pela escola de música para te visitar. Mas que sabia eu da vida com 19 anos?
Vamos deixar o passado para trás, estou farta de ser alimentada pelos poucos momentos felizes que realmente vivemos. O amor esgotou-se demasiado cedo e nunca mais conseguimos recuperar. É este o momento, quero o divorcio.

"Tua" - terceira parte da trilogia dos rios

Fé ou Esperança?


[Le Scaphandre et le papillon, 2007, Julian Schnabel]

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Vamos falar da Verdade

Ficámos em silêncio, com as nossas consciências a sussurrarem-nos ao ouvido. Ficámos parados, a sentir o cheiro um do outro e a distância, sem saber o que dizer. Eu falo sempre acerca das minhas fraquezas, típicas da juventude, como me dizes. E pela primeira vez falaste-me das tuas também. Eu nunca te tinha visto tão frágil e debilitado. Falamos de tudo e de nada e de nada, antes…

Eu pisquei os olhos, cerrei os lábios e engoli a saliva. Tu tocaste-me no cabelo, sem qualquer sentimento de culpa – vi isso nos teus olhos. Continuaste… tacteando-me o rosto, as faces, o nariz, olhos… depois pressionaste ambos os polegares, fazendo-os entrar na minha boca. Eu já nem sequer consegui engolir a saliva, nem consegui respirar. Sentindo a força com que os teus dedos entravam dentro de mim.

Não voltamos a falar nas semanas que se seguiram, fingimos, como dois mentirosos, que nada havia acontecido.

Eu continuei a cantar todas as noites nos bares habituais. E tu, como sempre, vinhas assistir. Sorrias amavelmente, davas alguns goles no whisky, batias-me palmas. Porém no final do espectáculo apenas te despedias com um “adeus” – adeus esse que me amargurava sorrateiramente a alma, fazendo-me duvidar do teu regresso, no dia seguinte.

Mas esse olhar nunca me enganou.

Algo aconteceu e foram apenas precisos mais alguns dias.

Foi num intervalo de um dos espectáculos, que não fora, nem de perto nem de longe, das minhas melhores noites… era apenas mais uma como tantas outras. Dirigi-me à casa-de-banho, salpiquei o rosto com água e olhei-me ao espelho. As olheiras haviam-se intensificado (antes sobrepostas por uma camada de espessa maquilhagem que se havia evaporado com o suor). “Não admira” – pensei, fazia algumas noites que não pregava olho, aproveitando-me do álcool e do vício do café, para me aguentar. Deixei cair a cabeça, soltando-a por momentos… ergui-a e olhei-me novamente ao espelho. Uma mulher olhava-me através do reflexo, fixamente. Parecia penetrar-me na alma. Era bonita, com uns longos cabelos castanhos e olhos cor de azeitona. Devia ter cerca de trinta anos...

Ficámos ali, duas mulheres, a olharem-se mutuante através do espelho, com falta de coragem (aparentemente) para se olharem directamente.

– Não está a ver quem sou?

Acho que arregalei os olhos nesse exacto momento, revirando o meu corpo e fazendo-me vê-la de frente.

– Sou a mulher do homem com quem andas a dormir.

Gritei dentro de mim… desesperada, enquanto ecoaram nos meus ouvidos aquelas letras, aquelas palavras, aquela frase. Tive nojo de mim mesma, dos meus pensamentos, das minhas lembranças. Tive nojo de te amar tanto e ao mesmo tempo da minha impotência em frente àquela figura. Ela não me bateu (coisa que eu fazia se tivesse acontecido comigo), nem tão pouco me insultou.

Eu deixei fugir uma lágrima, que me deve ter descido pelo rosto e caído no coração. Ouvi a minha voz, a melodia de uma canção fúnebre que eu cantava no meu enterro. Imaginei-nos aos dois, condenados com o suor a escorrer-nos do rosto de tanto prazer que estávamos a sentir… imaginei o teu rosto e o teu corpo quente sobre o meu. Senti receio, mas nunca arrependimento.

Ela prosseguiu de cabeça erguida, dizendo:

– Vamos falar da verdade.


"Tua" - terceira parte da trilogia dos rios
Diário

terça-feira, 22 de julho de 2008

*
Vamos falar da Verdade
Deixa-me contar-te a minha história
De óculos escuros
Sensíveis ao toque
Som: Jazz
Imagem: a avó
Discreta obsessão
Colectânea de odores
Morada enganada
De olhos fechados

porque que as frases soltas fazem para mim tanto sentido?...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

implícita natureza

by: Joana Brás
(eu) no Paraíso


"Guardo os segundos perdidos, guardo os pedaços de papel amarrotados e espalhados um pouco por toda a parte. Guardo os segredos e os medos, transformo-os em pequenas histórias que se contam, por aqui e por ali, no eco da minha memória. Guardo os sonhos e os pesadelos, mas guardo aquilo que ainda não vivi, aquilo que viverei."

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

*
Sou o veneno que te dei a beber
O segredo que não conseguíste esconder
Sou a fé do Ateu
A mão direita do esquerdino
Sou o cego a ver o vermelho
A noite iluminada pela escuridão
Sou a chávena quente de café frio
Sou as maças que Eva não comeu
O inferno que Dante nunca conheceu
Sou a voz que nunca conseguíste ouvir


Sem titulo e ainda não terminado... algumas frases apenas