Quem se importa? Quem escuta? Quem lê?
sábado, 13 de junho de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Hunger (2008)
É difícil não conseguir reagir a esta película que nos causa um constante desconforto mental, assim como algum enjoo (diga-se de passagem). Mas é exactamente na brutalidade e na crueza, que esta obra se desligue das suas demais contemporâneas.
Sabemos bem que já inúmeros filmes foram feitos acerca das cadeias, do quotidiano dos seus prisioneiros e da penosa realidade que estes enfrentam, mas é na forma como McQueen filma que se encontra a sua singulariade.


Bobby Sands era um activista da IRA (Irish Republican Army), que com apenas 27 anos foi condenado a 14 anos de prisão pelo crime de posse de armas. Em 1981 dá inicio a uma greve de fome que tem como objectivo o melhoramento as condições dos prisioneiros políticos (do seu estatuto e direito).
Hunger perpetua um silêncio, um silêncio emocional. De uma banda sonora, que ainda que existente quase não seja perceptível, McQueen acaba por extrair do "silêncio" a chave da magnificência da sua obra. É apartir de planos de detalhados de pormenor e força dramática, foque e desfoque, de uma montagem tanto ritmada - composta por curtos planos; quanto lenta - composta por planos longos, que o autor encontra o seu traço identitário. Com a excepção de um take único de cerca de 20 minutos, sem cortes, nem mudança de planos, onde acontece uma conversa entre Bobby Sands e um padre católico (Liam Cunningham). Nesse diálogo, de entre muitos outras coisas que ambos falam, Sands expõe ao padre as razões pelas quais esta determinado a levar a cabo uma greve de fome ("Hunger Strike"). Cada um é movido pelos seus ideais - em que para o padre a greve de fome é tida como o próprio suicídio, enquanto que para Sands - uma arma, que tem a força de um grito capaz de derrubar os mais fortes alicerces da instituição penal. Ele que está decidido a sacrificar o corpo em nome de uma causa maior do que a sua própria existência. É após o final desta conversa acompanhamos o homem, Bobby Sands, na sua viagem solitária sem regresso. Com alucinações, um penoso sofrimento, mas com mente sã que nunca desvia o olhar do seu principal objectivo.
Uma obra que tem tanto de singela quanto de amadurecida - em que Steve McQueen se revela mais do que capaz de adoptar uma pura visão da realidade, que apenas o cinema europeu no seu melhor nos pode dar. Fazendo-se também acompanhar por uma equipa de extraordinários actores, entre os quais se destaca Stuart Graham (o guarda) e a já referida visceral interpretação de Michael Fassbender (Bobby Sands).
Com toda a certeza um filme para contemplar, dos poucos do género (felizmente) que se fazem hoje em dia. Hunger será para guardar carinhosamente na memória.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
O amor fatal

[Heaven, 2002, de Tom Tykwer]
- O Paraíso -
Heaven é baseado na inacabada trilogia Heaven, Hell and Purgatory escrita por Krzysztof Kieslowski.
Do mesmo realizador de Lola rennt (Corre Lola Corre) e mais recentemente Perfume: The story of a murderer (O Perfume).

[Gegen die Wand, 2004, de Fatih Akin]
- Head On -
Do mesmo realizador do admirável " Auf der anderen Seite"(Do Outro Lado).
- Não Amarás -
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
"Ninguém é perfeito para sempre"
Talvez: os melhores do 2008
O silêncio
"And stay all night with me / You won't find a girl in this damn world / That will compare with me"
Nick Cave & P.J Harvey
Tomara que a noite tivesse corrido bem, que tivesse dormido e talvez tido um sonho feliz (ainda que frustrante), que não tivesse ficado indisposta, que tivesse fumado um cigarro e não tivesse "parado para pensar". Tomara que conseguísse ignorar a sexualidade dos anjos ou conseguísse escrever algo interessante. Tomara que usufruísse de uma boa leitura e deixa-se de perder tanto tempo comigo e com os "meus assuntos", ou dito de outra forma: deixa-se de perder demasiado tempo com as "minhas paixões". Tomara que deixa-se de ter tanta esperança e abandonasse as causas perdidas. Mas tomara, sobretudo que aquele silêncio nunca tivesse acontecido.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Bela como sempre...
Com toda a certeza mais uma interpretção memorável, daquela que é e será sempre a minha actriz favorita.
domingo, 28 de dezembro de 2008
WALL•E
A paisagem adquire uma aparência apocalíptica. Entre os prédios erguem-se montanhas de detritos, consequência de uma sociedade munida pelo consumismo e comodidade. Há muito que os humanos abandonaram a Terra, optando viver no espaço. Para trás (acidentalmente) ficou um pequeno robô, WALL•E,
que após tanto tempo em plena solidão adquire certas características: uma queda pelo coleccionismo, pela reunião de objectos do quotidiano humano entre eles; isqueiros, colheres, bonecos, uma cassete do musical "Hello Dolly" que assiste regularmente, assim como uma personalidade extremamente curiosa e divertida.WALL•E leva uma vida pacata, até o dia em que recebe uma visita inesperada, seu nome é EVE e a sua missão é confiscar o planeta em busca de vida vegetal. Mas o que era eventualmente uma visita de rotina vem a tornar-se uma verdadeira aventura... Em que os seus heróis prometem desafiar as leis da gravidade para conseguírem alcançar os seus objectivos.
sábado, 27 de dezembro de 2008
Blindness
Depois de vários anos a recusar-se vender os direitos do livro "Ensaio Sobre a Cegueira" - José Saramago rende-se finalmente aos encantos do aclamado realizador brasileiro - Fernando Meireles (" Cidade de Deus", "Fiel e Jardineiro").
Desde logo, tornou-se evidente que adaptar o prémio Nobel português da literatura, ao cinema, não iria ser tarefa fácil - tanto pela complexidade das suas personagens como também pela sua relação com o espaço, enquanto invisuais. Para isso destaca-se a fotografia de César Charlone que cumpre convenientemente a sua missão, exprimindo um grande cuidado em invocar a cegueira a partir da luz e dos planos, onde prevalecem as imagens queimadas, esbatidas e até desfocadas, as cores frias e muitas vezes uma abstracção dos elementos. Numa ou noutra cena as personagens parecem flutuar num "mar de leite" tal e qual como é descrito no livro.
Blindness retrata personagens sem nome, num lugar desconhecido, num tempo indefinido. Retrata aqueles que perderam subitamente a visão, e uma mulher (Julianne Moore) que carrega consigo o fardo de ser a única que permanece ilesa à cegueira. Não se pode dizer que Moore seja a protagonista, porém à que admitir que nela recai toda a fonte de riqueza dramática da trama - além de ser nitidamente a personalidade mais explorada. Pena é, que outros não tenham tido o mesmo grau de atenção, como no caso de Danny Glover que se assume a certa altura como narrador, mas que pouco nos diz como personagem interveniente na história. Além disso Blindness peca também pela banda sonora que nada acrescenta as imagens - que transmite muito pouca emoção.
Globalmente as mulheres destaca-se, arrebatando-nos com momentos de plena beleza e serenidade, incorporando a força e a coragem num cenário atroz. Elas têm o dom de conseguir mudar o rumo da história.
A Cegueira é a metáfora utilizada para caracterizar o mundo onde vivemos, concretizando o fenómeno do homem de se encontrar permanentemente cego. Posso concluir que Blindness não consegue ser tão bom como "Cidade de Deus" ou "Fiel e Jardineiro", mas sem dúvida que este não lhe ficará indiferente.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Nos futuros dias de fantas...
Espero com alguma impaciência que outros grandes filmes sejam anunciados pelo site oficial.
sábado, 18 de outubro de 2008
Sergio Leone Vs Ji-woon Kim
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Das Leben der Anderen
A Vida dos Outros está nas suas mãos.

Por vezes quando se assiste a um bom exemplar da sétima arte é nos evidente, a razão pela qual sentimos tanta simpatia por esta arte e não por outra. É como se fôssemos alimentados pelas imagens, pelos sons e por vezes mais alimentados ainda pelo silencio. Depois, a memória obriga-nos a perder muita informação, muitas imagens, muitos sons... até restar apenas um pedaço daquilo que foi inicialmente ou, até não nos restar mais nada. Mas quando, para além das imagens e dos sons somos alimentados pelo prazer, aí, nessa altura nunca mais nos esquecê-mos.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Hot Fuzz
Nicholas Angel é um exemplar policia londrino, transferido para a esquadra da pacata vila de Sandford. Mas o que era eventualmente um lugar seguro, vem a tornar-se um desfio para a carreira e para a sanidade mental do policia em questão.Rir a bom rir, numa paródia policial... absolutamente brilhante.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Os melhores de 2007
de David Fincher
de David Lynch
de Cristian Mungiu
de William Friedkin
de Christophe Honoré
de David Cronenbergdomingo, 18 de maio de 2008
28 anos depois...
Especula-se, ainda hoje a causa de tão prematura morte. Era o génio por detrás da banda, que ele mesmo escolheu o nome: Joy Divion. E ainda que uma pessoa tão próxima dele, como a mulher, tenha escrito um livro ("Touching from a Distance"), a verdadeira figura de Ian Curtis permanece uma incógnita.
Control (2007)
Um dos filmes mais esperados de 2007, sendo a primeira longa-metragem realizada pelo fotógrafo holandês Anton Corbijn.
O filme começa na adolescência de Curtis e termina com a sua fatídica morte, na véspera de uma digressão aos Estados Unidos, que iria catapultar a banda para o sucesso mundial. Ainda que filme siga com fidelidade os traços biográficos da vida de Curtis, não consegue em muitos dos casos arrebatar o espectador com momentos de tensão, arrepiantes, como seria de esperar. Sinceramente fiquei mais impressionada com algumas coisas que li antes de entrar na sala de cinema, do que propriamente quando lá entrei. Não quero com isto dizer que Corbijn não faz um bom trabalho, muito pelo contrário, ele esmera-se numa fotografia realmente excepcional (preto e branco) e consegue também encontrar um excelente actor para o papel central do filme - Sam Riley. Mas isso não é prova suficiente. A vida de Curtis tinha muito mais para dar, a sua personalidade era bem mais complexa do que aquilo que se vê na tela. Digamos que Corbijn tinha o texto e as imagens, mas não tinha a alma.
São os sonhos, os demónios, a música, os amores e a morte… são as questões existenciais que atormentam a vida de um jovem, é a doença que o acompanha num dado momento da sua vida, a relação com outra mulher e a sua perícia como compositor. Talvez Curtis tenha pensado que já não conseguia produzir/igualar tudo o que fez até à data, por isso desejou pôr fim à sua vida. Tinha 23 anos e estava no auge da sua carreira.
domingo, 20 de abril de 2008
O regresso de Coppola






































