Quem se importa? Quem escuta? Quem lê?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Das Leben der Anderen


A Vida dos Outros
está nas suas mãos.


Por vezes quando se assiste a um bom exemplar da sétima arte é nos evidente, a razão pela qual sentimos tanta simpatia por esta arte e não por outra. É como se fôssemos alimentados pelas imagens, pelos sons e por vezes mais alimentados ainda pelo silencio. Depois, a memória obriga-nos a perder muita informação, muitas imagens, muitos sons... até restar apenas um pedaço daquilo que foi inicialmente ou, até não nos restar mais nada. Mas quando, para além das imagens e dos sons somos alimentados pelo prazer, aí, nessa altura nunca mais nos esquecê-mos.
"Porquê?" - é a questão essencial, a rainha das questões, a principal, a primeira, a indiscutível, a justa e justificável... o "Porquê", é algo tão importante para aquele que tem objectivos como o próprio ar que respira. E "A vida dos outros" fala disso mesmo, de alguém que mudou drasticamente "porque" numa determinada altura da sua vida compreendeu - que os objectivos dos outros eram bem mais importantes que os seus. Sentiu que deveria fazer alguma coisa pelo simples facto de achar que aquele - era o caminho. De certa forma, foi a única maneira de Wiesler encontrar a sua paz de espírito e apesar de ter de enfrentar as consequências dessa escolha, ele sabia que tinha feito a escolha certa - e tornou-se mais feliz por isso. Ele sacrificou os seu futuro promissor pela vida de duas pessoas que mal conhecia, pela vida dos "outros". Ele afeiçoou-se aos objectivos dos outros e fez deles seus também.

sábado, 27 de setembro de 2008

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Hot Fuzz


Nicholas Angel é um exemplar policia londrino, transferido para a esquadra da pacata vila de Sandford. Mas o que era eventualmente um lugar seguro, vem a tornar-se um desfio para a carreira e para a sanidade mental do policia em questão.

Rir a bom rir, numa paródia policial... absolutamente brilhante.

Vamos falar da Verdade

Ficámos em silêncio, com as nossas consciências a sussurrarem-nos ao ouvido. Ficámos parados, a sentir o cheiro um do outro e a distância, sem saber o que dizer. Eu falo sempre acerca das minhas fraquezas, típicas da juventude, como me dizes. E pela primeira vez falaste-me das tuas também. Eu nunca te tinha visto tão frágil e debilitado. Falamos de tudo e de nada e de nada, antes…

Eu pisquei os olhos, cerrei os lábios e engoli a saliva. Tu tocaste-me no cabelo, sem qualquer sentimento de culpa – vi isso nos teus olhos. Continuaste… tacteando-me o rosto, as faces, o nariz, olhos… depois pressionaste ambos os polegares, fazendo-os entrar na minha boca. Eu já nem sequer consegui engolir a saliva, nem consegui respirar. Sentindo a força com que os teus dedos entravam dentro de mim.

Não voltamos a falar nas semanas que se seguiram, fingimos, como dois mentirosos, que nada havia acontecido.

Eu continuei a cantar todas as noites nos bares habituais. E tu, como sempre, vinhas assistir. Sorrias amavelmente, davas alguns goles no whisky, batias-me palmas. Porém no final do espectáculo apenas te despedias com um “adeus” – adeus esse que me amargurava sorrateiramente a alma, fazendo-me duvidar do teu regresso, no dia seguinte.

Mas esse olhar nunca me enganou.

Algo aconteceu e foram apenas precisos mais alguns dias.

Foi num intervalo de um dos espectáculos, que não fora, nem de perto nem de longe, das minhas melhores noites… era apenas mais uma como tantas outras. Dirigi-me à casa-de-banho, salpiquei o rosto com água e olhei-me ao espelho. As olheiras haviam-se intensificado (antes sobrepostas por uma camada de espessa maquilhagem que se havia evaporado com o suor). “Não admira” – pensei, fazia algumas noites que não pregava olho, aproveitando-me do álcool e do vício do café, para me aguentar. Deixei cair a cabeça, soltando-a por momentos… ergui-a e olhei-me novamente ao espelho. Uma mulher olhava-me através do reflexo, fixamente. Parecia penetrar-me na alma. Era bonita, com uns longos cabelos castanhos e olhos cor de azeitona. Devia ter cerca de trinta anos...

Ficámos ali, duas mulheres, a olharem-se mutuante através do espelho, com falta de coragem (aparentemente) para se olharem directamente.

– Não está a ver quem sou?

Acho que arregalei os olhos nesse exacto momento, revirando o meu corpo e fazendo-me vê-la de frente.

– Sou a mulher do homem com quem andas a dormir.

Gritei dentro de mim… desesperada, enquanto ecoaram nos meus ouvidos aquelas letras, aquelas palavras, aquela frase. Tive nojo de mim mesma, dos meus pensamentos, das minhas lembranças. Tive nojo de te amar tanto e ao mesmo tempo da minha impotência em frente àquela figura. Ela não me bateu (coisa que eu fazia se tivesse acontecido comigo), nem tão pouco me insultou.

Eu deixei fugir uma lágrima, que me deve ter descido pelo rosto e caído no coração. Ouvi a minha voz, a melodia de uma canção fúnebre que eu cantava no meu enterro. Imaginei-nos aos dois, condenados com o suor a escorrer-nos do rosto de tanto prazer que estávamos a sentir… imaginei o teu rosto e o teu corpo quente sobre o meu. Senti receio, mas nunca arrependimento.

Ela prosseguiu de cabeça erguida, dizendo:

– Vamos falar da verdade.


"Tua" - terceira parte da trilogia dos rios
Diário

terça-feira, 22 de julho de 2008

*
Vamos falar da Verdade
Deixa-me contar-te a minha história
De óculos escuros
Sensíveis ao toque
Som: Jazz
Imagem: a avó
Discreta obsessão
Colectânea de odores
Morada enganada
De olhos fechados

porque que as frases soltas fazem para mim tanto sentido?...

domingo, 29 de junho de 2008

Cat Stevens - Father and Son ( Live )



Existem iluminados. Não existem?

domingo, 1 de junho de 2008

["Candy Cigarette", 1989 de Sally Mann]